Desmonte de Rochas

          É impossível pensar em qualquer atividade do nosso dia-a-dia que não envolva produtos da mineração: desde as verduras orgânicas que comemos até a roupa que vestimos, a mineração está em todo lugar. Para remover os recursos de seu lugar original e transformá-los de modo que possam ser utilizados na indústria existe um conjunto de técnicas específicas e bastante sofisticadas, mas que de modo geral podem ser reduzidas a fragmentar a rocha reduzindo o seu volume a tamanhos manejáveis, transportá-la e concentrar o elemento de interesse.

    O processo de fragmentar a rocha, transformando corpos minerais de dimensões monumentais em pedaços pequenos de rocha que possam ser embarcados em um caminhão, se chama desmonte de rocha. Esse desmonte pode ser feito apenas com o uso de equipamentos de escavação, em casos bem particulares, ou pode contar com o auxílio de explosivos, que transformam a rocha intacta em material que possa ser escavado e carregado.

         O desmonte de rochas com explosivos é amplamente utilizado, das pedreiras no sul do país às grandes minerações do Brasil e do mundo, sendo a maneira mais eficiente de fragmentar rochas, em termos de custo e de energia. Quando conduzido de maneira responsável, utilizando parâmetros e procedimentos adequados, o desmonte de rochas pode ser uma operação extremamente segura, trazendo pouquíssimos riscos ocupacionais e nenhum dano ou prejuízo a estruturas e cidades vizinhas.

      Existem várias aplicações para o uso de explosivos: desmontes de rocha para produção, feitos com o objetivo de fragmentar um grande volume de rocha formando pilhas que possam ser escavadas e carregadas em caminhões com facilidade; desmonte para controle de taludes, feitos com quantidades menores de explosivos visando preservar a integridade da parede resultante da detonação bem como das paredes vizinhas; desmontes de lançamento, que objetivam deslocar o material desmontado concomitantemente ao desmonte, economizando no transporte; Dependendo do objetivo que se almeja, alguns parâmetros que influenciam na qualidade do desmonte devem ser alterados criando tipos de desmonte específicos.

      Vários parâmetros ditam o comportamento de um desmonte com explosivos, todos eles associados com as propriedades da rocha, as propriedades dos explosivos e a interação entre essas duas entidades. No que diz respeito à rocha, a sua resistência mecânica, sua geometria e suas características estruturais ditam qual o explosivo mais adequado, qual a geometria da carga a ser aplicada (locação dos furos) e quantos quilos de explosivo devem ser usados por metro cúbico de rocha a ser fragmentada. Quanto aos explosivos, cada tipo favorece um mecanismo de fragmentação diferente, atingindo resultados diversos como consequência – alguns explosivos são bons para arremessar as partículas mais longe e formar pilhas mais espalhadas e airadas, enquanto outros têm a tendência de formar pilhas mais compactas.

       O plano de fogo – a distribuição das cargas no tempo e no espaço – também é peça chave para uma boa detonação. O tempo de espera entre furos da mesma linha e entre linhas influencia diretamente quão espalhada a pilha de minério resultante vai ser e quão fácil vai ser escavá-la. Mais importante do que isso, no entanto, é o controle das vibrações do solo e do ar, bem como o controle do ruído, que uma boa temporização pode oferecer. O espaçamento entre furos, por sua vez, muitas vezes dita o tamanho dos fragmentos resultantes do desmonte e garante a melhor interação entre as cargas para aproveitar a energia liberada da melhor maneira possível.

     Em suma, desmontes podem ser feitos de diversas maneiras diferentes com objetivos variados, o que pode ser atingido alterando alguns parâmetros. Esses parâmetros funcionam em conjunto, podendo resultar em desmontes muito bons, com poucos impactos à vizinhança e ao meio-ambiente, com uma excelente fragmentação que economiza custos em britagem e uma pilha de minério de fácil manuseio que aumenta a produtividade; ou em desmontes não tão bons assim, com vibrações de ar e de solo excessivas, fragmentação precária, pilhas de minério muito compactas e de difícil escavação e riscos potenciais aos funcionários e vizinhos.

        O desmonte de rochas é uma operação bastante complexa e que envolve muitas variáveis: nenhuma rocha é igual a outra, de modo que um desmonte que é bom para uma mina dificilmente funcionará tão bem para outra. Além disso, muito do desenvolvimento do plano de fogo é empírico, sendo validado e aprimorado com a prática, mudando parâmetros a cada desmonte para obter melhores resultados. Para otimizar o desmonte da uma mina e encontrar a solução que melhor se encaixa em cada caso, um engenheiro de minas deve ser contatado.

Por : Anna Fazolo 

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